sábado, 4 de dezembro de 2010

Sozinha?!

A vida é realmente uma caixa de surpresas. Estou surpreendida por mim mesma, se me permite a redundância. É que quando eu achava que tudo caminhava para a beirada do caos, onde o futuro incerto traria a maior das crises existenciais aparece algo que é ótimo e estranhamente oportuno. Parei por dois segundos de pensar em questões existenciais.


Pronto, resolvido todos os problemas... quem disse?? Eu sempre maximizo as coisas. Com as crises (ou as pré-crises) não poderia ser diferente. Ou será dessa vez?


Agora deu pra entender tudo que se passa. Pedi tanto a Deus, todos os dias, para iluminar o meu caminho, para me dar respostas, me tirar desse mundinho tosco da ansiedade e medo... e eis que a oportunidade surge. E eu agora peço sabedoria pra conseguir interpretar isso tudo. E eu lá sei se entendi a Vossa mensagem, amado Mestre??!!

De alguma forma eu já fiz uma escolha, já defini o caminho para um tempo próximo ou longo, que eu não sei qual é... E essa indefinição não me dá angústia, não é ela que me deixa agonizante na cama paralisada. Na verdade isso ocorre depois dos não-contatos. Das correntes do mundo que caminham para um lugar desconhecido que eu não sei e morro de curiosidade de saber.


Sabe o que é? Quem disse a você que eu gosto dessa liberdade toda? De estar solta no mundo, caindo todos os dias no despenhadeiro de pára-quedas a tira-colo? De vez em quando é legal... mas durante 3 meses seguidos com interrupções de calmarias nervosas?? “Porque você me deixa tão solta? Porque você não cola em mim? Tô me sentindo muito sozinha...”


Ahhh! Se não houvesse drama quem seria? A Outra e não eu!

domingo, 28 de novembro de 2010

As coisas do coração...

É o meu coração que me leva, sempre me levou. Mas ele me traz de volta sempre que for hora de ser mais "eu" do que "nós". Já não sei o que estou sentindo agora e tenho sempre o amor como referência. Esse amor que é maior que eu. Tenho muito a entender desse amor ainda. Mas sei que o meu coração sabe mais de mim do que eu.

domingo, 14 de novembro de 2010

Lágrimas e outras dores.

Eu chorei e me senti muito frágil. Eram aquelas pessoas que eu mais amo na vida sendo alvo de alguém que por algum motivo não se importava com nada disso. Pensei em muitas coisas durante 60 minutos. Socialmente o que significava aquilo tudo? Subjetivamente, o que leva alguém a impor ao outro um expressão de si com tanta violência?

Lembrei quem eram aquelas pessoas e porque elas eram essenciais para mim. Me ensinaram o melhor deles e me mostraram porque eu poderia criticar o pior deles também. Eu virei gente porque eles foram precisos nas suas referências, porque eles são grandes pessoas e eu entendo que os amo porque acima de tudo os admiro profundamente. E se é que existem "porques", se é que existe alguma explicação... Simplesmente os amo.

Achava que não sabia rezar, mas soube pedir a Deus por eles, para protegê-los. Para que ninguém os fizesse sofrer novamente. Chorei agradecendo por ter me feito mais madura, pra saber chorar sendo forte. Por mostrar o que eu sinto sabendo cuidar de quem precisa. Eu sei que Ele me ouviu e sei que tudo precisa fazer sentido e a gente tem pensado no que precisar aprender nessa experiência dolorosa.

"a vida é mesmo
Coisa muito frágil
Uma bobagem
Uma irrelevância
Diante da eternidade
Do amor de quem se ama" [NR]

terça-feira, 9 de novembro de 2010

ser no mundo...

Carrego comigo o altruísmo e a empatia, esses sentimentos são demasiadamente cristãos. Ok! É realmente por aí... Só agora me dei conta disso com inteligência. Não tenho dúvidas de que fui projetada para ser isso, para fazer o "bem" e para cuidar do outro como a mim mesma.
Isso é fato! lembro das inúmeras vezes que ouvi lá em casa a seguinte expressão: "E se fosse com você? Você iria gostar?"Em mim surtiu o efeito esperado, aprendi a me colocar no lugar das pessoas.

E esse é um exercício que me faz bem. Eu me dou conta de mim experimentando ser o outro. Percebo onde guardo as minhas limitações, os preconceitos, os racismos... eles estão aqui guardados. Mas é nessa reflexão que eu me encontro, na minha maneira de perceber e dar soluções as questões, o nó da ressignificação.

Afinal enxergar o processo é um passo, mas a caminhada se encontra no momento da transformação.

Estou na corrida, a velocidade é que algumas vezes se apresenta como angústia, pela discrepância entre o meu ritmo e o que o mundo me oferece. Mas tudo bem! Essa dinâmica que dá emoção ao cotidiano.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

o tal Estado Laico...

A situação colocada no cenário político hoje vem de uma era que antecede a idade média, as vezes tenho a impressão de que estamos nas cavernas, sem grandes possibilidades de comunicação e acreditando que o todo compreende apenas o meu pedaço.

A discussão política tem girado em torno de duas grandes questões que expressam a mesma coisa. Afinal vai se eleger no segundo turno aquele que se posicionar e provar por A + B que é essencialmente contra a discriminalização do aborto e tem horror a regulamentação da união estável entre os homossexuais. Para isso tem que provar que vai a missa aos domingos e que faz boas ações, mesmo que essa não seja sua prática cotidiana e de fato isso não prova absolutamente nada. Ora, não são os evangélicos que estão na ponta dos movimentos sociais, lutando contra as desigualdades, contra o desamor, contra a violência. Então onde eles estão? Onde está a verdadeira salvação?

Muitas vezes acho que a gente se esquece o que quer dizer Estado Laico, e deve ser difícil mesmo, mas o wikipédia diz que A palavra laico é um adjetivo que significa uma atitude crítica e separadora da interferência da religião organizada na vida pública das sociedades contemporâneas. É muito simples se a minha crença me diz não devo me unir a alguém do mesmo sexo que o meu, ou que não devo tirar um filho que não planejei ou que não desejo, ótimo, mas existem pessoas que pensam diferente de tudo isso, que acreditam em outra coisa e tem todo o direito de acreditar, nós vivemos numa democracia e todos tem liberdade de pensar da forma que quiserem.

Pronto, é isso a função do Estado é fazer a regulação de tudo isso. Hoje o aborto clandestino é a 4ª maior causa de morte entre as mulheres. É uma situação grave, questão de saúde pública e preciso dizer que quem está morando tem identidade, cor e endereço, são sempre as mais pobres, as que tem acesso mais dificuldade a informações, as que moram nas periferias, negras... Discriminalizar o aborto não significa incentivar que essa ato aconteça, só inibe que mortes venham a acontecer por causa desse ato. Bom, a mesma lei cabe a união dos homossexuais. Elas não deixarão de acontecer apenas porque o Estado não a reconhece como legítima.

O interessante é ter posição ativa, é não reclamar de longe apenas, é intervir, questionar. Dizer o que pensa e porque pensa. É importante construir o tal senso crítico e influenciar nos processos decisórios não apenas pautando tais questões no processo eleitoral e sim construindo estratégias nos espaços de formulação de políticas públicas. Estar coeso e não lutar apenas pelo meu, mas construir um pensamento laico qua envolva o todo.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

O início de tudo.

E antes de mais nada, fui pesquisar o que então se encaixa no conceito do agnóstico e não, não o sou. Segundo o Wikipédia a pessoa agnóstica acredita que assim como não é possível provar racionalmente a existência de deuses e do sobrenatural, é igualmente impossível provar a sua inexistência. Isso não é necessariamente visto como problema, já que nenhuma necessidade prática os impele a embrenhar em tal tarefa estéril.

Ficou confuso? Vou tentar explicar melhor no que acredito e aí então descobrir se me encaixo em alguma definição já pré-estabelecida. Para isso terei que recorrer a minha história de vida, claro. Tive uma infância de práticas católicas, com tudo aquilo que tinha direito, a rotina das missas dominicais quando no interior, o batismo, a primeira eucaristia e tudo mais. De fato nenhuma dessas atividades foram feitas com prazer ou alegria, era muito mais por “obrigação” já que a família era de origem católica e não se havia o que se discutir então.

A escola teve grande influência na “libertação” desse paradigma que não era entendido nem por mim e nem era em absoluto praticado pelo meu núcleo familiar. Então estive out de toda essa questão, caindo no discurso do “religião não se discute”, apenas defendendo a possibilidade da diversidade no que diz respeito a prática religiosa, salva-guardando o direito das religiões de matrizes africanas, que aqui em Salvador, contraditoriamente, sempre sofreu muita discriminação.

Hoje me vejo sendo pressionada a pensar sobre, e definitivamente sair de cima do muro. Bom e agora penso: sim, eu acredito em Deus! Fui criada por Ele e ainda tenho muito o que aprender sobre a sua história e suas leis. Porém preciso ressaltar, esse Deus que eu acredito não é a divindade que exclui, que segrega, que condena e que limita. O meu Deus é o próprio amor, que amplia, gera, estimula e compreende.

Bom, a conceituação que mais se aproxima daquilo que compreendo hoje seria a do Deísmo, esta diz que Deus se revela através da ciência e as leis da natureza. Com toda certeza essa não é a definição mais absoluta sobe tudo que penso, isso acontece porque tenho refletido e transformado a minha concepção.

As questões ainda são muitas, compartilharei aqui nesse espaço as minhas inquietações e reflexões sobre tudo isso. E vocês? O que pensam sobre?