A situação colocada no cenário político hoje vem de uma era que antecede a idade média, as vezes tenho a impressão de que estamos nas cavernas, sem grandes possibilidades de comunicação e acreditando que o todo compreende apenas o meu pedaço.
A discussão política tem girado em torno de duas grandes questões que expressam a mesma coisa. Afinal vai se eleger no segundo turno aquele que se posicionar e provar por A + B que é essencialmente contra a discriminalização do aborto e tem horror a regulamentação da união estável entre os homossexuais. Para isso tem que provar que vai a missa aos domingos e que faz boas ações, mesmo que essa não seja sua prática cotidiana e de fato isso não prova absolutamente nada. Ora, não são os evangélicos que estão na ponta dos movimentos sociais, lutando contra as desigualdades, contra o desamor, contra a violência. Então onde eles estão? Onde está a verdadeira salvação?
Muitas vezes acho que a gente se esquece o que quer dizer Estado Laico, e deve ser difícil mesmo, mas o wikipédia diz que A palavra laico é um adjetivo que significa uma atitude crítica e separadora da interferência da religião organizada na vida pública das sociedades contemporâneas. É muito simples se a minha crença me diz não devo me unir a alguém do mesmo sexo que o meu, ou que não devo tirar um filho que não planejei ou que não desejo, ótimo, mas existem pessoas que pensam diferente de tudo isso, que acreditam em outra coisa e tem todo o direito de acreditar, nós vivemos numa democracia e todos tem liberdade de pensar da forma que quiserem.
Pronto, é isso a função do Estado é fazer a regulação de tudo isso. Hoje o aborto clandestino é a 4ª maior causa de morte entre as mulheres. É uma situação grave, questão de saúde pública e preciso dizer que quem está morando tem identidade, cor e endereço, são sempre as mais pobres, as que tem acesso mais dificuldade a informações, as que moram nas periferias, negras... Discriminalizar o aborto não significa incentivar que essa ato aconteça, só inibe que mortes venham a acontecer por causa desse ato. Bom, a mesma lei cabe a união dos homossexuais. Elas não deixarão de acontecer apenas porque o Estado não a reconhece como legítima.
O interessante é ter posição ativa, é não reclamar de longe apenas, é intervir, questionar. Dizer o que pensa e porque pensa. É importante construir o tal senso crítico e influenciar nos processos decisórios não apenas pautando tais questões no processo eleitoral e sim construindo estratégias nos espaços de formulação de políticas públicas. Estar coeso e não lutar apenas pelo meu, mas construir um pensamento laico qua envolva o todo.